A utilização da Inteligência Artificial no setor minerário
É de notório conhecimento da sociedade civil que a Inteligência Artificial (IA) chegou para ficar e se consolidar como a nova “Revolução Industrial” dos próximos séculos. Se comparada sua utilização em um lapso temporal de cinco anos atrás, indubitável se mostra o seu rápido avanço e aceitação social diante da capacidade de facilitação e otimização de informações úteis, sejam elas rotineiras ou específicas. A ferramenta vem sido utilizada por diversos setores industriais e, logicamente, por sua expressiva capacidade econômico-financeira, a mineração não ficaria de fora da tendência mundial.
Ao abordarmos o conceito de Inteligência Artificial, falamos em automação de processos e tarefas por máquinas em substituição a atividades que antes pertenciam aos seres humanos. Ou seja, robôs que executam softwares programados para pensar e atender demandas repetitivas, de maneira a otimizar o tempo para obtenção do resultado.
No âmbito da mineração, que já há muito tempo apresenta maquinário automatizado e sofisticados softwares de programação de computadores, a utilização da IA se dá pela implementação de um sistema que fará a leitura e análise das informações contidas no banco de dados, apresentando um laudo com diretrizes capazes de auxiliar no planejamento estratégico bem como nas tomadas de decisões dos profissionais técnicos, diante da capacidade da ferramenta de intepretação de dados em massa.

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Além disso, segundo Alex Petermann, Diretor Regional de Mineração na Hatch – empresa global de engenharia e consultoria em projetos do setor – a Inteligência Artificial pode ser utilizada para: (i) facilitar a exploração mineral através da análise de dados geológicos para prever a localização de minerais valiosos; (ii) aumentar a eficiência operacional através de otimizações de padrões de perfuração e demonstre; (iii) diminuir o tempo de inatividade através de identificações de manutenção preventiva do maquinário; (iv) utilização de veículos e equipamentos autônomos aumentando a produtividade e retirando seres humanos de áreas de risco; (v) monitoramento de segurança e saúde dos trabalhadores em áreas de mineração; (vi) monitoramento ambiental através de sistemas que fiscalizam a qualidade do ar e da água, com a possibilidade de previsão de possíveis impactos ambientais; (vii) otimização da cadeia de suprimentos e logística prevendo a demanda e otimizando rotas de entrega; (viii) auxílio na tomada de decisões e planejamento estratégico com base na análise de dados.
Na mesma esteira, conforme noticiado pelo Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), diversas empresas do setor minerário, como Vale, Samarco e J. Mendes vem utilizando um sistema robotizado de Inteligência Artificial desenvolvido pela Altave, empresa de monitoramento inteligente, que consiste em uma plataforma que integra câmeras, radares e sensores capazes de monitorar diversos aspectos da operação, além da capacidade de “machine learning”, definido como aprendizado da máquina. O sistema é capaz ainda de detectar e prevenir invasões, furtos, falhas estruturais e acidentes ocupacionais em áreas de difícil acesso. Cumpre destacar que esta ferramenta está sendo utilizada pela Samarco no Parque Nacional do Gandarela, em Minas Gerais, uma vez que também passível de monitoramento de questões climático-ambientais, tais como incêndios florestais.
Ratificando a plausibilidade e rentabilidade da adoção da IA na mineração, com um investimento superior a R$ 80 milhões, a empresa mineira Elysian Petroleum, que detém uma das maiores concessões nacionais para extração de petróleo em terra firme, promete entregar até o final do corrente ano um Centro de Inteligência Artificial na capital mineira, com 40 profissionais e mais de 50 projetos em andamento visando a otimização do tempo de mineração do seu setor.
Diante dos inquestionáveis avanços que a tecnologia pode oferecer à mineração, insustentável se faz a sua resistência, uma vez que a adoção da ferramenta de Inteligência Artificial tem o condão de tornar a atividade minerária mais rentável, segura aos trabalhadores e populações ao entorno, além de menos degradativa ao meio ambiente, consolidando-se como grande aposta para o futuro industrial.

Administrador de Empresas com ênfase em Comércio Exterior,
Advogado especializado em Direito Minerário, com atuação em
mineradoras como ArcelorMittal, Vale, Gerdau e Samarco.
Sócio de Bernardo Bicalho Advogados /
bernardo@bernardobicalho.com.br

advogado especialista em Direito Processual integrante
do Bernardo Bicalho Advogados, escritório especializado em
Direito Mineral e Direito Empresarial
