Embraer expande negócios e se reinventa como protagonista global
Com foco em inovação, diversificação e sustentabilidade, empresa brasileira projeta faturamento de US$ 10 bilhões até 2030 e consolida presença mundial

Embraer atravessa uma das fases mais promissoras de sua história. Após um período de reestruturação estratégica iniciado em 2020 — impulsionado pela frustração da parceria com a Boeing e agravado pelos efeitos da pandemia —, a empresa brasileira de aviação voltou a crescer de forma consistente, diversificou sua atuação e se reposicionou como uma potência aeroespacial global. Em 2024, a companhia registrou receita líquida de US$ 6,4 bilhões, alta de 21% em relação ao ano anterior, com lucro líquido de US$ 352,6 milhões — crescimento de 114%. Em 2025, a expectativa é manter o ritmo de crescimento, com receita estimada entre US$ 7 e US$ 7,5 bilhões, e backlog firme de US$ 7,5 bilhões. Até o final da década, o plano estratégico da companhia projeta atingir a marca histórica de US$ 10 bilhões em faturamento anual. O mercado tem respondido positivamente: nos últimos dois anos, as ações da empresa valorizaram mais de 160% na B3.
Mais do que números robustos, a Embraer celebra o êxito de um modelo de negócio baseado na inovação tecnológica, na expansão internacional e na construção de soluções sustentáveis para a mobilidade do futuro.

Quatro frentes, um só destino
A atuação da Embraer está estruturada em quatro grandes unidades de negócio: Aviação Comercial, Aviação Executiva, Defesa & Segurança e Serviços & Suporte. Todas elas vêm apresentando desempenho positivo.
A divisão Defesa & Segurança é um dos motores do atual crescimento. O cargueiro militar KC-390 Millennium já foi adquirido por países como Brasil, Hungria, Portugal, Holanda, e, recentemente, Áustria e República Tcheca. Há negociações avançadas com outras nações da OTAN, além de conversas com Índia e Suécia. Ao todo, já são mais de 40 aeronaves encomendadas. O desempenho do KC-390 reforça a posição da Embraer como fornecedora estratégica para as forças aéreas globais.
Na Aviação Executiva, o ano de 2024 marcou a entrega de 115 jatos, com previsão de fechar 2025 com até 155 unidades — novo recorde. O modelo Phenom 300E continua liderando sua categoria mundialmente. A companhia aposta ainda no sucesso do Praetor 600, com avanços importantes em conectividade e automação embarcada.
Já na Aviação Comercial, o E-Jet E2 segue abrindo mercados e conquistando clientes. Os destaques mais recentes são os acordos com a japonesa ANA e a canadense Porter Airlines. Em junho, a companhia escandinava SAS formalizou a compra de 45 jatos E195-E2, com opção de mais 20 — o maior pedido da Embraer na Europa em uma década. O contrato, avaliado em cerca de US$ 3 bilhões, deve impulsionar novas negociações com companhias de médio porte no continente.
Por fim, a unidade de Serviços & Suporte, que responde por cerca de 30% do faturamento atual, se beneficia da expansão da frota global e da estratégia de manutenção com suporte regionalizado. A Embraer já opera mais de 80 centros de serviço autorizados em todo o mundo, incluindo bases na América do Norte, Europa, Oriente Médio e Ásia-Pacífico.

Paul Bowen
Disrupção silenciosa
Além das áreas tradicionais, a Embraer vem investindo de forma estruturada em novas frentes. Um dos projetos mais ambiciosos é o eVTOL (veículo elétrico de decolagem e pouso vertical), desenvolvido por meio da subsidiária Eve Air Mobility. O protótipo deve voar ainda em 2026 e iniciar operação comercial até 2027. As expectativas são altas: o mercado de mobilidade aérea urbana poderá movimentar US$ 30 bilhões por ano até 2040.
Outro eixo relevante da estratégia da Embraer é a sustentabilidade. A companhia tem liderado, junto a fabricantes e operadores, o desenvolvimento de aeronaves com menor emissão de carbono. Parcerias com a Pratt & Whitney e investimentos em biocombustíveis sustentáveis (SAF) colocam a empresa à frente da transição energética do setor.

Francisco Gomes Neto, presidente da Embraer
Fonte: Divulgação
“A sustentabilidade está no centro da nossa estratégia de inovação”, afirmou Francisco Gomes Neto, presidente da Embraer desde 2019. “Queremos que cada novo projeto reflita nosso compromisso com um futuro mais eficiente, mais limpo e mais acessível.”
Reconhecimento internacional
A solidez dos resultados e a consistência da gestão levaram a Embraer a receber o grau de investimento de três grandes agências internacionais de rating. Esse reconhecimento tem permitido à empresa atrair novos financiamentos, ampliar contratos de leasing e firmar parcerias com governos e operadores em mercados estratégicos.
O ponto alto desse reconhecimento global veio em 2025, quando a companhia foi agraciada com o World Company Award (WOCA), em cerimônia realizada na França. O prêmio celebra as empresas que mais se destacam em práticas de governança corporativa, sustentabilidade, inovação e impacto social.
A conquista do WOCA foi celebrada como um marco na trajetória da Embraer. “Esse prêmio não pertence apenas à nossa liderança ou ao nosso time executivo. Ele é resultado do trabalho coletivo de milhares de pessoas comprometidas com a excelência e com o Brasil”, declarou Gomes Neto.
Rumo aos US$ 10 bilhões
Se depender da trajetória recente, a meta de faturamento de US$ 10 bilhões até o fim da década está bem ao alcance. Com um portfólio diversificado, foco em inovação e forte presença internacional, a Embraer consolida-se como um dos maiores símbolos da capacidade tecnológica brasileira — e um dos principais players globais da aviação do século XXI.
Mais do que exportar aeronaves, a Embraer exporta engenharia, confiança e visão de futuro. A nova etapa que se desenha é, ao mesmo tempo, desafiadora e promissora. E, como sempre foi, desenhada para voar mais alto.

Fonte: Divulgação
