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Entrevista com Natalia Nogues

Oferecido por Bruna Magatti

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“Ainda faltam alguns anos para chegar nesse amadurecimento e conhecimento em apostas e tudo depende de como vamos educar o nosso público”

Natalia Nogues, CEO da Control F5 e uma das fundadoras da Associação de Mulheres da Indústria do Gaming (AMIG) fala sobre a regulamentação da ‘lei das bets’, os desafios em empreender no setor e as expectativas para seu futuro

Natalia Nogues

Fonte: Divulgação

Era 2007 quando Natalia Nogues, aos 20 anos, fez um intercâmbio no Uruguai para estudar Design Gráfico. Não foi uma simples viagem. Foi ali, em terras latinas que, em 2009, descobriu o mundo dos jogos, trabalhando na área de atendimento ao cliente de uma empresa brasileira que tinha um site de apostas online, com sede em Montevidéu.

Natalia se formou em design, mas não seguiu a profissão. Resolveu apostar na paixão pelo universo dos games, passando por experiências em vários cargos e operações no setor. Cheia de bagagem, voltou para o Brasil, obteve um MBA Executivo em Gestão Empresarial e resolveu dar seus primeiros passos como empresária, começando como consultora. Natalia se tornou sócia de investimentos da Control F5 - uma empresa de marketing e desenvolvimento de produtos com o objetivo de explorar novas possibilidades dentro do universo dos jogos online – onde ela desenvolveu um hub de serviços, oferecendo soluções diferenciadas para todas aquelas dores que as empresas enfrentam ao iniciar ou entrar no mercado brasileiro de jogos.

A ideia deu certo, e hoje, com Natalia como sócia majoritária, a empresa oferece soluções para empresas de apostas online, desde atendimento ao cliente e marketing, métodos de pagamento, plataformas e operadoras e até assessoria jurídica. Pensando em suas experiências como uma mulher dentro deste setor, que cresce cada vez mais, porém ainda sofre com o preconceito e a misoginia, ela e outras 5 mulheres lançaram, em março de 2024, a AMIG - Associação de Mulheres da Indústria do Gaming.

O objetivo é fortalecer outras mulheres que já trabalham ou que desejam atuar na área de games, por meio de mentorias, networking e oportunidades de carreira. Diante dos desafios enfrentados em um ambiente majoritariamente masculino, onde muitas vezes as mulheres são subestimadas ou discriminadas, a AMIG é uma iniciativa que visa mudar as perspectivas femininas no segmento. O crescimento da associação pegou todas as fundadoras de surpresa: atualmente, são mais de 250 associadas e 10 comitês trabalhando full time para fazer acontecer workshops, eventos, cursos e parcerias com empresas apoiadoras do projeto.

Natalia garante que, para os que possuem interesse em entrar no mercado brasileiro e se desenvolver nele, a Control F5 pode atuar como a porta de entrada para ajudar no processo e também ajudam a sanar as dores de empresas já estabilizadas no mercado, se adaptando às necessidades diversas com um único objetivo: garantir que seus clientes operem de forma eficiente e eficaz, atendendo às regulamentações e oferecendo um atendimento otimizado. O assunto do momento, a ‘lei das bets’, que finalmente irá a debate, é um dos assuntos abordados nesta entrevista exclusiva com Natalia, que traz suas opiniões, vivências e expectativas sobre o setor. Confira!

Natalia Nogues

As fundadoras da AMIG (da esquerda para direita) - Teresa Caeiro, Barbara Telles,
Ana Helena Pamplona, Ana Bárbara Teixeira, Natalia Nogues e Luciana Hendrich

Fonte: Divulgação

The Winners Economy&Law - como foi o início da sua jornada na indústria de games?

Natalia Nogues – Comecei nesse setor de games há 15 anos. Quando resolvi fazer um intercâmbio no Uruguai para estudar Design Gráfico, em 2007, não fazia ideia de como essa viagem mudaria os rumos da minha vida. O meu intercâmbio virou residência fixa, amei a experiência de morar em Montevidéu e em busca de trabalho, encontrei uma vaga para brasileiros em um cassino online. Eu nem sabia que esse tipo de negócio existia, mas achei que seria uma oportunidade diferente e interessante. Comecei a trabalhar na área de atendimento ao cliente de um site que oferecia entretenimento em apostas para o Brasil, quando ainda nem sabia que existiam jogos online para cassinos. Comecei aprendendo o básico para atender os clientes, e me apaixonei pelo tema. Com curiosidade, fui descobrindo como tudo funcionava: o que eram os métodos de pagamentos, qual era a jornada do cliente, quem eram os fornecedores de jogos e o que faziam, tudo era novidade. Hoje, para nós, isso é normal, mas para quem começa a conhecer os bastidores, descobre um ecossistema gigantesco da nossa indústria e todos os seus stakeholders.

Ao longo da minha trajetória, encontrei muitos mentores e profissionais de diferentes áreas que me ensinaram sobre esse mundo dos jogos. Na época tínhamos que aprender um pouco de tudo, de cada área que fazia parte da organização: marketing, afiliados, produto, financeiro, etc., fui me desenvolvendo ao longo do tempo dentro da carreira e com muita dedicação em buscar informações, fui crescendo e ganhando reconhecimento na e passei por várias empresas do gaming, em diversos cargos. Depois de acumular experiência durante anos, sentia que não explorava todo o meu potencial, eu sabia o que uma empresa de games precisa ou não para crescer, investir, conhecia como funciona um site e a parte de desenvolvimento. Sentia que estava apta para voar sozinha. Foi quando resolvi dar seus primeiros passos como empresária, e comecei como consultora. Em 2021 decidi investir em uma empresa já consolidada em desenvolvimento e Marketing para outros setores, a Control F5, e tive a possibilidade de começar o foco em gaming oferecendo inúmeros serviços que são essenciais para o crescimento e o sucesso de uma empresa de entretenimento em apostas.

“É preciso pensar fora da caixa e trazer o melhor de outros segmentos para a indústria do game e fazer dela a melhor do mundo em qualidade e eficiência.”

TWE&L – Qual é a missão da Control F5 e o que ela oferece às empresas de jogos online interessadas no Brasil?

NN – A Control F5 oferece uma série de serviços para todo o ecossistema da indústria de jogos: operadores, fornecedores de jogos, plataformas, métodos de pagamento, escritórios de advocacia, entre outros. Somos a porta de entrada e a empresa de confiança para aqueles que desejam entrar no mercado brasileiro e se desenvolver nele, auxiliando em tudo o que precisarem no país.

Nossa missão é ajudar no crescimento, desenvolvimento e sucesso das empresas que querem de forma séria trabalhar neste mercado. Queremos resolver os desafios enfrentados por empresas no mercado brasileiro, por isso, nossos serviços são altamente personalizados, adaptando-se às necessidades diversificadas e complexas de cada cliente. Garantimos que possam operar de forma eficiente e eficaz, em conformidade com as regulamentações, além de proporcionar uma experiência de usuário otimizada. A Control F5 realiza uma análise detalhada dos processos, sistemas e desafios de cada cliente. Isso inclui reuniões, entrevistas e coleta de dados para entender as necessidades específicas e os objetivos estratégicos. Nosso foco é compreender profundamente o contexto de cada cliente para oferecer soluções ajustadas exatamente às suas necessidades. Com base na análise inicial, desenvolvemos e adaptamos nossas soluções para atender a essas demandas.

Nossos serviços abrangem Marketing, Publicidade, Afiliados, Atendimento ao Cliente, Consultoria, Ferramenta de KYC, Capacitação em Gaming para profissionais, Recrutamento e Seleção especializados, Assessoria Jurídica e Contábil. Além disso, contamos com serviços internos e parcerias com empresas associadas, especializadas e de confiança, garantindo aos nossos clientes a qualidade Control F5.

TWE&L – O RH é um dos serviços presentes na empresa. Como esse setor pode mudar e impactar a indústria de games atualmente?

NN – Nós oferecemos esse serviço para auxiliar as empresas a encontrar o profissional ideal para os cargos solicitados. Um dos problemas atuais no Brasil, com as empresas que estão já trabalhando nesta área é querer cortar caminhos e buscar profissionais com experiência já nesta indústria, que realmente hoje é o mais difícil, porque ainda a mão de obra especializada em gaming é escassa, a grande maioria que tem essas skills já está trabalhando atualmente. Nosso objetivo além de encontrar o perfil desejado e com experiência no setor, é também buscar profissionais que atuam em outros setores, que possuem conhecimento técnicos nas áreas solicitadas e oferecer a capacitação necessária para o gaming para que tenham o conhecimento necessário inicial e possam se desenvolver nesta indústria, até mesmo para ter uma nova visão sobre o setor, trazer novas ideias, utilizar seus cases de sucesso para aplicar no gaming, somente assim vamos conseguir atrair profissionais capacitados e com ambição para este setor novo no Brasil. É preciso pensar fora da caixa e trazer o melhor de outros segmentos para a indústria do game e fazer dela a melhor do mundo em qualidade e eficiência. Temos os maiores talentos no Brasil, precisamos atraí-los para o gaming e mostrar que trabalhar com entretenimento é trabalhar de forma séria e com diversão.

Equipe Control F5

Natalia no evento da G2E em Las Vegas no painel
sobre o mercado do Brasil em apostas

Fonte: Divulgação

TWE&L – O mercado de games é um universo majoritariamente masculino. Como ser uma mulher empreendedora nesse setor?

NN – O mercado de games é majoritariamente masculino em todo o mundo, não somente no Brasil, é algo cultural, porém o mercado vem mudando muito ao longo desses últimos cinco anos no Brasil, justamente pela nossa sociedade hoje dar a possibilidade e liberdade à mulher de escolher o que quer ser, do que fazer e constantemente reforçar de que o céu é o limite e que não há nada que a impeça de crescer pessoalmente ou profissionalmente e principalmente no âmbito que quiser. Ainda falta muito para chegar no ideal, mas já temos um caminho em evolução, só precisamos seguir batalhando e empoderando outras mulheres a embarcarem e conquistarem esse lugar. Empreender é difícil tanto para homens quanto para mulheres. Mas a chave está na palavra resiliência. Ser empresário é realmente uma aposta constante e uma batalha diária. Existe um sonho, um objetivo, e a partir disso se constrói o caminho a ser percorrido. Com erros e acertos, se vai ajustando e melhorando constantemente a entrega, o serviço e o produto. Quem embarca neste desafio deve saber que toda empresa vai começar pequena e que você precisa ser resiliente, porque vai passar por muitos altos e baixos até amadurecer e se estabilizar, para crescer e obter o sucesso com segurança.

Agora quando falamos de mulheres, sabemos que nós enfrentamos outras questões quando decidimos empreender. A sociedade ainda acredita que mulheres não têm capacidade empreendedora, principalmente pelo seu viés emocional e sensível, ainda se acredita que cargos de liderança e visão empreendedora precisam de apenas razão e frieza na hora de lidar com os obstáculos e tomadas de decisões e muitas mulheres se “masculinizaram” para conquistar esse espaço. E hoje posso dizer com propriedade que isso está muito longe de ser o imprescindível para liderar uma empresa, é preciso sim muita persistência, jogo de cintura, sabedoria, eficiência, flexibilidade, organização e entre outras mil qualidades que todas as mulheres tem de sobra, principalmente para lidar e enfrentar os desafios internos e externos da companhia, principalmente para lidar com a geração Z, que precisa de muito mais de negociação do que ordens top down. Para que as mulheres tenham sucesso nessa liderança, é preciso não se intimidar e se impor, por meio, principalmente, do conhecimento. Se você estudou, se você sabe o que está falando, se você se preparou, então tem que acreditar em você e se posicionar, sem falar baixinho, sem ter medo. Faça a sua voz chegar mais alto, o que você faz e sabe vale tanto quanto outras vozes, tenha consciência disso e confie, muitos querem escutar o que você tem para dizer. Por isso, a solução é ter certeza da própria competência, se sentir fortalecida e não ter medo do futuro, além de um bom plano de negócios, viver o hoje é fundamental para quem quer empreender.

Equipe AMIG

Premio de melhor empresa de Marketing do setor do Gaming, da Control F5 no evento de CGS em Recife

Fonte: Divulgação

TWE&L – Neste contexto, você fundou a AMIG com outras 5 mulheres, com o objetivo fortalecer outras mulheres que já trabalham ou que desejam atuar na área de games, por meio de mentorias, networking e oportunidades de carreira. Como surgiu a ideia? Foi baseada em experiências pessoais?

NN – A Associação das Mulheres da Indústria do Gaming partiu da ideia de seis mulheres (Ana Bárbara Teixeira, Ana Helena Pamplona, Bárbara Telles, Luciana Hendrich, Natalia Nogues e Teresa Caeiro) , que têm mais de 15 anos de experiência no mercado e que enfrentaram vários obstáculos ao longo desse trajeto, justamente por se tratar de uma indústria principalmente masculina. Muitas de nós observávamos pouquíssima aderência de mulheres no setor e por ende só se viam homens desbravando nesse mercado e fazendo acontecer, queríamos mais mulheres para poder equilibrar o setor e trazer uma visão diferenciada até mesmo da nossa indústria.

Nosso objetivo principal é permitir que mais mulheres participem ativamente desse mercado, onde a indústria se beneficia da diversidade de experiências e ideias que podem fomentar inovação e criatividade. Além disso, sabemos que a presença de mulheres em cargos de liderança e tomada de decisões no setor de jogos promove uma cultura empresarial mais equilibrada e inclusiva. A diversidade de gênero não traz apenas benefícios tangíveis para os negócios, mas também contribui para a criação de ambientes de trabalho mais saudáveis, onde todos se sintam valorizados e respeitados. Isso pode resultar em maior retenção de talentos, aumento da motivação e produtividade, e melhorias na reputação das empresas perante a sociedade. Na AMIG, oferecemos encontros, debates, cursos e workshops sobre temas relevantes para o mercado, onde profissionais do setor e seus aliados podem se desenvolver e promover ainda mais o crescimento do setor de jogos e a equidade de gênero na liderança.

Hoje, somos 560 mulheres de diferentes áreas: operadoras, fornecedoras de jogos, plataformas, métodos de pagamento, escritórios de advocacia, empresas de marketing, saúde, influenciadoras e afiliadas, tanto do Brasil quanto do exterior. Queremos fazer a diferença e contribuir com mais experiência, conhecimento e negócios para a indústria.

“Com a regulamentação entrando em vigor, passaremos a outras etapas a serem debatidas e cumpridas e uma delas é sobre o combate ao mercado ilegal.”

TWE&L – O Brasil regulado é um país que ainda não tem ferramentas claras de combate ao mercado ilegal. Você acredita que com a tecnologia que temos atualmente, podemos banir o mercado ilegal?

NN – No Brasil há um histórico em apostas em geral (cassino, bingo, loterias, jogo do bicho e apostas online) bastante conturbado ao longo da história do país, entre liberações, proibições, contravenções e legalizações. Desde que as apostas esportivas foram legalizadas em 2018, começamos a enfrentar as etapas já esperadas em comparação com outros países no mundo que passaram por essa mesma prática. Primeiramente levaram-se anos para escrever uma regulamentação que fosse correta e justa para todos os envolvidos e o Brasil, foi um país privilegiado nessa trajetória, já que o governo, sem ainda conhecer essa modalidade do mundo online, abriu suas portas para entender como funcionava, aprendendo de personalidades experientes de outros países, de empresas que já operam essa modalidade a anos, de associações e institutos que tiveram trabalhando lado a lado para dar voz às lacunas existentes sobre o setor e a todos os servidores públicos que com empenho e dedicação escreveram os termos corretos para que todos tivessem segurança, direitos e deveres, tanto para as empresas como os apostadores com essa modalidade de entretenimento no país.

Com a regulamentação entrando em vigor, passaremos a outras etapas a serem debatidas e cumpridas e uma delas é sobre o combate ao mercado ilegal. Já algumas práticas já foram colocadas sobre a mesa para impedir essa prática para as empresas que não possuem licenças, porém sabemos que no Brasil existe uma criatividade para burlar regras e será parte da responsabilidade de todos, que assim como fizemos um trabalho em conjunto para criar essa regulamentação, também devemos pensar como banir o mercado irregular.

Além das práticas normais como: limitar os métodos de pagamento para transações financeiras nos sites irregulares, assim como bloqueio de sites pela Anatel, ou ferramentas de KYC para proteção de dados, também será necessário educar aos apostadores dos riscos que correm ao apostar em casas que não sejam licenciadas, principalmente sobre transferir seus fundos financeiros através de instituições não autorizadas pelo banco central, isso pode implicar em um prejuízo econômico monstruoso sem saber se vai ter saldo para apostar ou ter segurança na hora de receber seu prêmio, pois não haverá forma de exigir qualquer tipo de negociação ou reaver seus valores correspondentes, pois não haverá órgãos habilitados que os proteja nesse quesito. Manipulação nos jogos, precisarão saber que sites foram certificados por empresas autorizadas a expedir essas certificações que validem pelas regras brasileiras que os jogos tragam resultados aleatórios ou randômicos, por exemplo, ao contrário de que os limite a ganhar quando assim o desejem.

São tantas as formas que podemos incrementar para limitar o mercado ilegal, porém é um dever de todos os stakeholders se concientizar dessa problemática e atuar em conjunto para que tenhamos um mercado cada vez mais justo para todos, essa será o nosso único objetivo para mostrar à sociedade, em momento de tanta negatividade sobre essa indústria, que temos total interesse de fazer tudo como rigem as leis brasileira sobre as apostas.

Regulamentação de jogos online

Fonte: Divulgação

TWE&L – A regulamentação e as licenças para os jogos de online no Brasil estão em vias de ser implantadas. Sob o aspecto jurídico o que isso trará ao setor e quais aspectos legais devem ser considerados fundamentais para essa regulamentação?

NN – Nesta regulamentação foram várias as portarias criadas para estabelecer regras e requisitos específicos para desde como deveriam ser constituidas as empresas, as tributações, direitos e deveres dos sites e dos apostadores, até como proteção de dados, empresas certificadoras, segurança cibernética, métodos de pagamentos seguros, prevenção a lavagem de dinheiro, melhores práticas e restrições no marketing e como fomentar o jogo responsável. Todos os pontos abordados são de extrema importância para que possamos ter um mercado justo e promissor no país nessa prática de entretenimento em apostas, sempre pensando e vislumbrando a segurança de apostadores e empresas que oferecem esse serviço. Mas tem uma em especial que considero que seja realmente a que mais deva ter seu destaque e ter uma alta relevância que é sobre o jogo responsável, pois sem a compreensão correta dele, não poderemos realmente ter o sucesso do mercado no Brasil. As apostas estão passando por um turbilhão de negativas durante este momento de transição de uma mercado não regulado para um regulado, justamente porque muitas pessoas ainda não conseguem entender que apostar não é uma fonte de renda extra, mas sim ela tem realmente o significado de diversão, onde apostando em dinheiro você pode ganhar ou perder, mas com certeza leva o momento divertido de socializar, de comentar sobre os seus jogos, de sentir adrenalina, de passar por uma experiência divertida onde essa esperança de um prêmio existe, mas o perder faz parte do jogo. Entender que todas as regras sobre como fomentar o jogo responsável é responsabilidade de todos, tanto dos sites, como do apostador, como daqueles prestadores de serviços que também trabalham para divulgar essa prática como os influenciadores e afiliados, por exemplo, que estão em alta neste momento de discussão sobre promessas infundadas e que não espelham o que o mercado quer neste momento que é prosperar.

Jogo Responsável

Natalia Nogues participando no painel do BIS SIGMA Americas sobre utilização de dados para o planejamento de Marketing no mercado de apostas

Fonte: Divulgação

TWE&L – Há empresas que dizem que praticamente 50% do negócio está na vertical de cassinos. Como fica isso?

NN – A prática das apostas online é algo muito novo no país. O apostador brasileiro ainda está aprendendo a apostar em modalidades como as apostas esportivas, que parece ainda ser um espanto para muitos brasileiros quando decidem apostar em quem vai ganhar em um jogo e se depara com uma tabela infinita de eventos, mercados, de linhas, colunas e cotações (números decimais de probabilidades) e a pergunta surge, para aqueles curiosos e novos nessa modalidade: “o que fazer, onde aperto para apostar, como escolher entre tantos números?”.

Em outros mercados de apostas mais maduros no mundo como Inglaterra, por exemplo, as pessoas crescem aceitando que existe essa forma de entretenimento, o veem em todos os cantos das cidades, em lojas físicas, em bares, em casa e nos sites, você assiste um jogo e já faz a sua aposta. No Brasil ainda aprende sobre os vários tipos de apostas num jogo, como apostar em que time vai ganhar o primeiro tempo ou o handicap asiático que contabiliza meio gol, como esperar que o nosso público já entenda, quando as recém bets apareceram no país para mostrar que dá para apostar de forma online? Ainda faltam alguns anos para chegar nesse amadurecimento e conhecimento em apostas e tudo depende de como vamos educar o nosso público.

Porém dentro dessa lacuna de conhecimento, existem os jogos mais fáceis de serem aprendidos e por isso se tornam tão populares. Os famosos crash games, por exemplo, onde o apostador, ao fazer sua aposta, precisa entender quando o aviãozinho vai subir e ir embora, ou o campo minado irá explodir a medida que fora escolhendo o caminho a ser trilhado; e antes disso acontecer, dentro de um tempo variável e aleatório de conclusão do jogo, o apostador vendo o quanto a sua aposta será multiplicada a cada etapa cumprida, ele precisará encerrar sua aposta arriscando ganhar ou perder. Este tipo de jogo está dentro da vertical de cassino, e tem ganha-do uma força muito grande sobre os apostadores brasileiros e por esse motivo hoje a vertical de cassino tem ganha-do mais protagonismo entre outras verticais de entretenimento dentro dos sites de apostas.

Graças a regulamentação essa prática de cassino online também está sob regras e requisitos que trazem segurança ao apostador. Sabemos que no decorrer do tempo que com o mercado mais maduro no país e com os apostadores aprendendo de forma responsável a divertir nos sites, sabemos que a tendência será mudar também o nível de conhecimento e o gosto por outras verticais, principalmente por que o brasileiro gosta de ser desafiado na tecnologia e adquirir novos conhecimentos e diversão.

“Sabemos que no brasil existe uma criatividade para burlar regras e será parte da responsabilidade de todos, que assim como fizemos um trabalho em conjunto para criar essa regulamentação, também devemos pensar como banir o mercado irregular.”

TWE&L – Não existem dados oficiais da indústria nem dados brasileiros sobre a ludopatia, já que os operadores se comprometeram com a criação de um mercado saudável para todos os envolvidos. Por que o mercado não é ouvido? Qual o caminho?

NN – O mercado está saindo de um momento de não regulamentação para a regulamentação das apostas. Lamentavelmente durante esse período existiu algumas práticas irregulares que podem ter contribuído para um entendimento errado por algumas pessoas de que apostar é sinal de ganhar e isso foi o que fomentou as notícias sobre o jogo do tigrinho e causou gastos exorbitantes de muitos brasileiros.

Essas notícias não podemos considerar falsas e nem virar as costas para casos que tenham acontecido graças as má práticas do mercado exercidas por alguns sites de apostas ou influenciadores que prometem ganhos e mudanças econômicas de vida. Mas o mercado em si de apostas que abrange milhares de profissionais sérios, empresas que trabalham seriamente desde a muitos anos em outros países e no Brasil que fazem parte desse ecossistemas estão todas de acordo em construir um mercado próspero e com muita responsabilidade, e para isso o principal é fomentar que o gaming é entretenimento e que se ganha e se perde, e que é um serviço intangível de entretenimento que oferece entretenimento como qualquer outro consumido no mercado, como ir a shows, ir a um bar, um bom restaurante, os aplicativo de joguinhos das frutinhas para passar o tempo, etc.

Tudo pode gerar dependência com o usufruto errado, não necessariamente as apostas é uma modalidade que atrai um grande risco à ludopatia, até porque jogadores que têm alto risco não são bem vindos em sites de apostas, porque ninguém quer que se jogue mais do que se tem, é de responsabilidade do site administrar e bloquear esse tipo de usuário, a médio e longo prazo só gera problemas. Portanto as ferramentas e ações exigidas pelo governo na regulamentação, como os sites já vinham aplicando algumas de antemão já previnem esse tipo de risco aos apostadores, onde eles além de serem monitorados e bloqueados em caso de necessidade pelas empresas de bets segundo seu comportamento excessivo de apostas, também poderão se auto bloquear e auto excluir quando desejarem e também autolimitar suas apostas ou investimentos financeiros nessa modalidade. O papel da indústria é primeiramente se unir para combater qualquer tipo de incoherencia e divergência nas informações avassaladoras sobre o mercado e comprovar que fazem um trabalho sério e responsável e fomentar através da publicidade principalmente a prática do jogo responsável e o uso de ferramentas eficazes para controlar e banir qualquer prática indesejável.

TWE&L – Que tendências globais você acha que definirão o futuro do setor de jogos online nos próximos cinco anos?

NN – As tendências estão mudando constantemente em nosso setor de jogos, e estamos em alta velocidade em termos de avanços tecnológicos. Nos próximos cinco anos, várias tendências globais deverão moldar o futuro do setor de apostas online. Aqui estão algumas das mais importantes:

1. Expansão da Regulação e Legalização: A regulamentação das apostas online está em crescimento em várias regiões do mundo, à medida que governos reconhecem o potencial de arrecadação de impostos e a importância de proteger consumidores. Países como os EUA, Canadá e Brasil estão expandindo ou estabelecendo novos marcos regulatórios, e essa tendência deverá continuar. Isso impulsionará um ambiente de maior conformidade e transparência, além de maior acesso ao mercado global.

2. Apostas Esportivas e Esports: As apostas esportivas continuarão a ser um pilar central, com grandes eventos esportivos sendo alavancas de crescimento. No entanto, o “Esports” está rapidamente se tornando um mercado de apostas atraente, especialmente entre as gerações mais jovens. Com a popularidade crescente de jogos competitivos, como “League of Legends”, “Counter-Strike”, e “Dota 2”, a expectativa é que o mercado de apostas nesse setor cresça exponencialmente.

3. Tecnologia Blockchain e Cripotomoedas: A “blockchain” está começando a transformar a indústria de apostas online, trazendo mais segurança e transparência nas transações em alguns países que não possuem o sistema financeiro tão evoluído. Além disso, o uso de “criptomoedas” (ainda em fase de regulamentação no Brasil) como forma de pagamento está crescendo. Isso pode reduzir custos de transação, aumentar a privacidade dos usuários e facilitar o acesso a mercados que enfrentam restrições bancárias. Operadores que implementarem soluções baseadas em blockchain poderão se destacar oferecendo maior confiabilidade.

4. Inteligência Artificial (IA) e Big Data: A inteligência artificial será cada vez mais usada para personalizar a experiência do usuário, otimizar odds e combater fraudes. Plataformas de apostas podem usar “big data” para analisar o comportamento dos usuários e fornecer ofertas mais direcionadas, previsões mais precisas e uma experiência mais envolvente. Além disso, o uso de IA em práticas de responsabilidade social, como detecção de comportamentos viciantes, será uma forte tendência.

5. Apostas Mobile e Experiência Omnichannel & IoT: O crescimento das “apostas via dispositivos móveis” continuará a ser impulsionado pela acessibilidade e a evolução da conectividade 5G. Operadores estão investindo em melhorar a “experiência mobile” e criar soluções que integrem tanto o ambiente físico (casinos e casas de apostas) quanto o online, oferecendo uma experiência omnichannel. Isso inclui funcionalidades que permitam a transição fluida entre os ambientes online e presencial, além de interação com dispositivos prontos para IoT.

6. Jogos com Realidade Aumentada (AR) e Realidade Virtual (VR): A adoção de AR & VR está começando a ganhar força no setor de apostas online, prometendo experiências mais imersivas. Isso é especialmente relevante para os casinos online, onde essas tecnologias podem recriar o ambiente de um casino físico, tornando a experiência mais interativa e envolvente. Nos próximos anos, essas tecnologias devem crescer em popularidade, oferecendo novas maneiras de engajar os apostadores.

7. Segurança de Dados e Privacidade: Com o aumento das regulamentações de proteção de dados, como o GDPR na Europa e a LGPD no Brasil, além de outras iniciativas globais, os operadores de apostas terão que se concentrar ainda mais em proteger os dados dos clientes. A conformidade com essas regulamentações e a adoção de medidas de cibersegurança robustas serão cruciais para a confiança do cliente e o sucesso do operador.

8. Sustentabilidade e Responsabilidade Social (ESG): A pressão por práticas mais responsáveis e éticas no setor de jogos está crescendo. A promoção de jogo responsável será uma área de foco contínuo, especialmente com o aumento da regulamentação. Operadores deverão adotar políticas e tecnologias para proteger os consumidores contra o vício em jogos, promovendo um comportamento de jogo saudável e sustentável.

Essas 8 tendências irão moldar o setor de apostas online nos próximos cinco anos, com operadores precisando se adaptar e inovar para se manterem competitivos em um mercado em rápida transformação.

Tendências do mercado de jogos online

Parte da equipe de profissionais da Control F5

Fonte: Divulgação

Red Pages