

O ESG está muito além de um conjunto de boas ações. Ao longo dos últimos anos, ele tornou-se um indicador confiável do grau de sustentabilidade de uma companhia. Adotar os critérios de ESG reduz custos ao longo do tempo, reflete positivamente na reputação da marca, aumenta a percepção de valor da empresa para o mercado e consumidores mais seletivos. É uma das maneiras que a organização tem de transmitir uma cultura de seriedade para todos os seus stakeholders e potenciais investidores.
Um estudo realizado no final do ano passado pela agência Humanizadas analisou 1.500 empresas de 14 setores. O mesmo revelou que as empresas comprometidas com iniciativas ESG alcançaram um retorno financeiro acumulado de 280%, bem acima dos 165% do Ibovespa e 59% do ISE (índice de Sustentabilidade Empresarial), além de apresentarem menor volatilidade, indicando menor risco financeiro. Esses resultados têm sido impulsionados por uma cultura corporativa inovadora, diversa e inclusiva, além de apontar um maior engajamento dos colaboradores com os objetivos das empresas e considerável redução na perda de talentos.
Uma outra pesquisa, a “Avanços e Desafios: A Maturidade ESG nas Empresas Brasileiras 2024”, realizada pela Nexus em parceria com a Beon ESG, aprofundou a análise no mercado brasileiro e identificou um avanço no amadurecimento das empresas com relação às práticas do ESG: 51% dos ouvidos têm uma estratégia definida para sustentabilidade. Entre os entrevistados estavam 401 executivos de empresas médias e grandes, dos setores de agronegócio, indústria, comércio e serviços do Brasil, no período de março a maio de 2024.
O ESG também gera impactos positivos na cultura organizacional. Empresas alinhadas com essa agenda costumam ter um ambiente interno mais saudável e colaborativo, tornando-se mais atraentes para profissionais talentosos, que buscam empresas que sejam compatíveis com seus valores pessoais. Outro ponto relevante é a maior resiliência dessas organizações diante de crises e mudanças regulatórias. Companhias que investem em ESG estão mais preparadas para enfrentar desafios econômicos e ambientais, garantindo maior estabilidade a longo prazo. Não à toa os investimentos sustentáveis têm crescido, e as instituições financeiras estão cada vez mais priorizando companhias com boas práticas ESG em suas carteiras.
Percebo no meu dia a dia, junto aos conselhos de administração e comitês de gestão, a crescente atenção com essas questões. Mesmo com as notícias recentes sobre o movimento anti-ESG nos EUA e as medidas anunciadas pelo novo governo Trump em relação à pauta de diversidade e acordos climáticos, o mundo segue comprometido em construir negócios mais sustentáveis, que respeitam o meio ambiente e à sociedade, visando a construção de empresas inovadoras e competitivas, mas conectadas com as demandas do mundo moderno.