Homenagem de Helmar Sérgio

Helmar Sérgio, diretor de TV
Fonte: Divulgação
Falar do Boni é também falar da minha própria história, tanto pessoal e, principalmente, profissional. Eu o conheci em 1963, na extinta TV Rio. Eu era cameraman e ele diretor. Imediatamente, rolou uma simpatia mútua e nos tornamos amigos.
Saímos da TV Rio e nos reencontramos na TV Globo, em 1967, quando ele lá chegou – eu tinha chegado dois anos antes. Ele como diretor de programação e eu continuava cameraman. Uma vez, ele me disse que eu era o tipo de profissional que, por ser muito talentoso, não precisaria da ajuda dele para crescer na empresa. E assim foi.
Tenho grandes e divertidas histórias com o Boni. Eu estava junto dele quando, no Carnaval de 1971, um temporal impediu a transmissão dos desfiles e o Boni mandou colocar um capítulo inédito da novela “Irmãos Coragem” no ar, para cobrir o buraco na programação. A partir daí, as novelas passaram a ser exibidas de segunda a sábado.
Certa vez, por uma brincadeira entre os cameramen, um apresentador deu o dedo do meio, ao vivo, achando que não estava no ar. Imediatamente, o Boni ligou. Estava furioso. Quando soube que eu estava no meio, me disse: “Você não muda!”. Depois da “bronca”, veio o convite para ser seu assessor. Ele me dizia que só queria que eu chegasse com soluções. Só que eu sempre chegava com os mesmos problemas, levados de forma diferente.
Depois, passei a frequentar sua casa em Angra, para onde fui inúmeras vezes. E sempre em ótima companhia: a dele. Meu querido amigo, nós nos acompanhamos desde 1963. Eu tenho uma imensa satisfação de ter a minha trajetória profissional atrelada à sua. De ter visto você crescer e se tornar a pessoa mais importante da história da nossa TV brasileira. E falo isso sem exagero. Não é um elogio, mas sim uma constatação.
Quando me aposentei pela TV Globo, recebi uma linda homenagem do Caldeirão do Huck. Entre os depoimentos, estava o do Boni, que me disse, rindo: “agora, você está liberado!”. Estamos liberados, meu amigo. Liberados do ofício de fazer TV, embora ela não saia dos nossos pensamentos e das rodas de conversa. Mas nunca liberados da amizade. E a nossa continuará existindo. Obrigado por tudo.
"Estamos liberados, meu amigo, do ofício de fazer televisão, mas nunca liberados da amizade."
