Homenagem de José Roberto Maluf

Fonte: Bruna Serra
Finalmente trabalhamos na mesma televisão! Cheguei à Fundação Padre Anchieta e encontrei meu caro amigo Bonifácio, Boni, o grande responsável pelo extraordinário sucesso da televisão em nosso país, já instalado na presidência do Conselho de Gestão, formado por um grupo de notáveis egressos das grandes emissoras do país.
Comecei no rádio e na televisão, nos anos de 1970, como advogado, e o Bonifácio já era o grande Boni, excepcional diretor de rádio e televisão, respeitado no mundo todo como o responsável por fazer de uma iniciante emissora de televisão carioca em uma das mais importantes redes mundiais.
Quase trabalhamos juntos na Bandeirantes quando João Saad, presidente e proprietário da emissora, convidou Boni para voltar à emissora. “Seu” João dizia que o havia emprestado para Roberto Marinho e que estava na hora de retomar o trabalho interrompido anos antes. A Globo contra-atacou e deu a ele a vice-presidência.
Outra vez, foi a tentativa na TV Gazeta de São Paulo. Boni tinha um projeto vencedor para uma emissora jornalística, para a cidade de São Paulo. Convidou importantes nomes da televisão brasileira, além deste escriba, para participar. O projeto de jornalismo e de transformação da emissora paulista teria grandes nomes no vídeo, estúdios de cristal na Av. Paulista, frota de veículos e helicópteros. Infelizmente não deu certo.
A mais imprevista tentativa de trabalharmos para a mesma emissora aconteceu no SBT. Já trabalhava comigo, o Luis Eduardo Borgerth que, depois de longo tempo cuidando dos assuntos institucionais para a Rede Globo, estava à frente dos mesmos assuntos na emissora do Silvio Santos. Em 2002, o amigo Borgerth propôs trazer Boni para a emissora. Ele havia deixado a emissora anterior (erro imperdoável da Globo) e cuidava de suas emissoras no Vale do Paraíba. Sua vinda seria um avanço extraordinário para o SBT. Discutimos sobre tudo: como seria melhorada a programação, as novas possibilidades de comercialização e outros detalhes da ousadia.
No dia seguinte levei o assunto para o proprietário da emissora, que deu sinal verde para prosseguir. Naquela mesma tarde, Boni veio ao SBT em seu helicóptero e foi analisada a minuta do contrato. Edson Kawano, diretor jurídico, trabalhou rápido e bem, trocou fac-símiles (faxes) com o advogado do Boni e assinamos o documento naquele mesmo dia.
A providência final foi levar Boni para cumprimentar Silvio Santos no camarim e o proprietário da emissora também assinou o contrato, como testemunha. Ficou combinado que Boni cuidaria de toda a programação do Sistema Brasileiro de Televisão, exceção dos domingos. Naquela noite, no jantar, comemoramos com duas garrafas de vinho. A alegria durou pouco. No dia seguinte recebi um telefonema, em casa, por volta de 6h30. Era Silvio Santos dizendo que tinha pensado melhor e que não gostaria de ter alguém concorrendo com ele na sua própria emissora. O resto já se pode deduzir: rescindimos o contrato.
A história recente da televisão brasileira poderia ter sido outra!
"Comecei no rádio e na televisão, nos anos de 1970, como advogado, e o Bonifácio já era o grande Boni, responsável por fazer de uma iniciante emissora de televisão carioca em uma das mais importantes redes mundiais."
