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Retrospectiva 2025 - Perspectiva 2026


Retrospectiva 2025
 Perspectiva 2026

Aprendendo com o que passou para construir um amanhã melhor

Fonte: Premium Freepik

O Brasil encerra 2025 com sinais mistos entre avanços concretos e fragilidades que ainda limitam o alcance de um crescimento sustentável. No lado positivo, o agronegócio desempenhou um papel decisivo para controlar a inflação, sustentar o PIB e reforçar a balança comercial. O turismo viveu seu melhor ciclo em décadas, impulsionando cidades, cadeias de serviços e empregos. E setores de serviços mostraram agilidade na incorporação de tecnologias, ganhando produtividade e novas formas de consumo. Mas, por outro lado, o país conviveu com juros persistentemente altos, que restringiram crédito, inibiram investimentos e pressionaram a competitividade de segmentos industriais estratégicos. A política comercial internacional trouxe tensões adicionais, sobretudo com o protecionismo norte-americano, que mexeu com rotas e com margens de exportadores brasileiros.

Essas contradições projetam um 2026 que não será apenas uma continuidade do ano anterior. A economia entrará no novo ciclo diante de um tripé sensível: política monetária ainda restritiva, desafios fiscais persistentes e um ambiente externo volátil. A reforma tributária passa a exigir adaptações profundas, enquanto o agro — antes refúgio de estabilidade — enfrentará riscos inéditos que exigem respostas rápidas. O Brasil, portanto, chega ao novo ano com ativos importantes, mas com urgência renovada de transformar vitórias pontuais em estratégias duradouras. O país tem a oportunidade, mas também a responsabilidade, de corrigir distorções que há anos adiam o ingresso em uma rota de expansão consistente.

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Comércio, Serviços e Turismo

O setor de serviços consolidou-se como o principal pilar de sustentação do crescimento em 2025, especialmente por meio da expansão do turismo. “O Brasil se consolidou como líder mundial em crescimento do turismo internacional”, destacou José Roberto Tadros, presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, ao analisar o desempenho do setor. Esse avanço movimentou o varejo, revitalizou centros urbanos e ampliou redes de hospedagem e alimentação, criando um círculo virtuoso de consumo. A demanda crescente, porém, trouxe à tona gargalos conhecidos: a infraestrutura aeroportuária precisa de modernização, a mobilidade urbana continua pressionada e a formação profissional não acompanha o ritmo da expansão do setor. Sem respostas rápidas, há risco de saturação da capacidade instalada.

No comércio exterior, 2025 exigiu ajustes velozes da economia brasileira. A política tarifária agressiva dos Estados Unidos afetou diretamente exportadores, com retração expressiva das vendas para o mercado norte-americano no segundo semestre. A queda, estimada em quase 38% em alguns meses, obrigou empresas a redirecionar embarques para Europa e Ásia, enquanto segmentos específicos buscaram recompor margens com novos destinos. A tendência revelou um alerta: a dependência excessiva de poucos mercados torna o país vulnerável a mudanças políticas repentinas. Para 2026, o comércio exterior brasileiro só ganhará consistência se houver diplomacia ativa, diversificação e uma estratégia clara de inserção competitiva.

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Indústria

A indústria viveu um ano de recuperação desigual, com setores avançando em ritmos distintos e a manufatura enfrentando obstáculos mais severos. O presidente da CNI, Ricardo Alban, resumiu o quadro ao alertar que “estaríamos diante do menor crescimento industrial em seis anos”, caso as projeções se confirmassem, e atribuiu a fragilidade aos “juros elevados”, que limitaram investimentos e encareceram o crédito. A indústria de transformação, pressionada pela entrada de produtos importados e pelo custo de capital, perdeu espaço no mercado interno. Enquanto isso, a extrativa — impulsionada pelo petróleo e pelo minério de ferro — registrou expansão significativa, e a construção civil avançou graças ao novo modelo de crédito imobiliário.

"O brasil precisa de mecanismos que estimulem pesquisa aplicada, digitalização de fábricas, descentralização da produção e parcerias tecnológicas. sem isso, 2026 tende a repetir o padrão de avanço setorial sem salto industrial."

A desigualdade entre segmentos evidencia a urgência de uma política industrial moderna, que vá além de incentivos pontuais e enfrente problemas estruturais como logística cara, baixa produtividade e escassez de inovação em cadeias inteiras. O Brasil precisa de mecanismos que estimulem pesquisa aplicada, digitalização de fábricas, descentralização da produção e parcerias tecnológicas. Sem isso, 2026 tende a repetir o padrão de avanço setorial sem salto industrial. O desafio não é apenas crescer, mas crescer com densidade produtiva e autonomia tecnológica.

Agricultura e Pecuária

O agronegócio foi o grande motor da economia brasileira em 2025. Safras consistentes e preços mais estáveis garantiram aumento expressivo no Valor Bruto da Produção, enquanto a bovinocultura contribuiu decisivamente para fortalecer a renda no campo. “Nossa produção contribuiu diretamente para a redução da inflação e para o equilíbrio dos indicadores macroeconômicos”, destacou João Martins, presidente da CNA. No entanto, o setor avançou carregando uma fragilidade preocupante: a inadimplência rural atingiu 11,4% em operações de mercado — maior taxa desde 2011 —, consequência de custos elevados, problemas climáticos recorrentes e falta de instrumentos eficientes de proteção financeira.

Os riscos internacionais também aumentaram. As tarifas adicionais dos Estados Unidos podem reduzir exportações brasileiras em até US$ 2,7 bilhões em 2026, enquanto a China avalia salvaguardas que podem impactar diretamente a carne bovina brasileira. Na Europa, a aplicação futura da Lei Antidesmatamento exigirá níveis inéditos de rastreabilidade e comprovação de origem. A ausência de um seguro rural robusto — o pior desempenho desde 2007 — deixa o produtor vulnerável justamente no momento em que os mercados estão mais exigentes. O agronegócio chega a 2026 forte, mas cercado. A agenda do setor terá de incluir diplomacia comercial ativa, fortalecimento do crédito e ampliação urgente do seguro rural.

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Economia

O cenário macroeconômico para 2026 exige prudência. “2026 é o ano do cavalo selado”, afirmou o economista Roberto Luis Troster ao definir uma oportunidade cuja janela é curta e exige ação coordenada. A inflação deve permanecer próxima ao teto da meta, reflexo de pressões setoriais e da expansão de gastos públicos em 2025, que cresceram 3,3% acima da inflação. A dívida bruta deve se aproximar de 79% do PIB, enquanto o cumprimento das metas fiscais depende fundamentalmente de aumento de arrecadação — com menor espaço para cortes de despesas. Os juros devem cair, mas não o suficiente para destravar um ciclo robusto de investimentos no primeiro semestre.

Para transformar 2026 em um ano de retomada consistente, o país precisa atacar gargalos profundos: produtividade estagnada, baixa taxa de investimento e incertezas regulatórias que afetam decisões empresariais. Além disso, o ambiente internacional continuará volátil, especialmente por causa das eleições dos Estados Unidos para a Câmara dos Representantes e dos possíveis desdobramentos sobre comércio, tecnologia e cadeias globais. A economia brasileira terá de caminhar entre estímulos à atividade e responsabilidade fiscal — sem comprometer a trajetória de médio prazo.

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Tributos

A implantação da reforma tributária inicia, de fato, ciclos de mudança muito mais profundos do que a classe política costuma verbalizar. O novo modelo de IVA dual (CBS e IBS) obriga empresas a revisar cadeias produtivas, recompor margens, recalcular precificação e adaptar sistemas. Especialistas alertam que a transição “redesenha preços, cadeias produtivas e rotinas de compliance”, o que exigirá enorme esforço de adaptação. Exportadores dependerão da eficiência na devolução de créditos, enquanto varejo e serviços enfrentarão redistribuição de carga tributária que pode alterar a competitividade setorial.

A capacidade dos entes federativos de cooperar será determinante. Estados e municípios terão de harmonizar regras, ritmos e metodologias de arrecadação, um exercício que o país nunca executou em escala tão ampla. A experiência internacional indica que reformas desse porte costumam gerar, no curto prazo, aumento de contenciosos e dúvidas operacionais — e o Brasil não será exceção. A forma como o país conduzirá a implementação definirá se a reforma será simplificadora ou se gerará novas zonas de conflito.

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Política

O ambiente político de 2026 será decisivo para definir a capacidade do país de acelerar reformas e garantir previsibilidade. A realização da COP-30, definida pelo deputado federal Arnaldo Jardim como “um ciclo de avanços na agenda de sustentabilidade, infraestrutura e energia”, elevou a visibilidade internacional do Brasil e reforçou o protagonismo do país no debate ambiental. No Congresso, temas como PPPs, mercado de carbono, marcos regulatórios do setor elétrico e expansão logística devem dominar a pauta.

Ao mesmo tempo, o país enfrentará os reflexos das disputas geopolíticas globais. As eleições legislativas nos Estados Unidos, por exemplo, podem redefinir agendas comerciais e tarifárias que afetam diretamente a indústria e o agronegócio brasileiros. No plano interno, a capacidade de articulação política será testada em meio à implementação da reforma tributária, à pressão por investimentos públicos e à necessidade de dar respostas rápidas às demandas econômicas. Em um cenário de tantas variáveis, previsibilidade regulatória e estabilidade institucional serão ativos valiosos — e decisivos.

"Ao mesmo tempo, o país enfrentará os reflexos das disputas geopolíticas globais. as eleições legislativas nos estados unidos, por exemplo, podem redefinir agendas comerciais e tarifárias que afetam diretamente a indústria e o agronegócio brasileiros."

Fonte: Waldemir Barreto/Âgencia Senado

Perspectivas para 2026

Entraremos em 2026 numa encruzilhada: há janela de oportunidade, mas ela exige ação coordenada e rápida. Como já foi dito ao longo deste balanço — e sintetizado pela metáfora de Roberto Luis Troster, que definiu 2026 como “o ano do cavalo selado” — o país dispõe agora de um momento breve para traduzir ganhos conjunturais em avanços estruturais. Para que isso ocorra, três vetores são decisivos. Primeiro, a política monetária: reduções graduais e críveis dos juros reais são quase uma condição prévia para que investimento e produção retomem tração. Ricardo Alban foi explícito ao apontar que “essa realidade tem nome: juros elevados”; reduzir esse custo do capital sem perder a ancoragem inflacionária será uma tarefa delicada, que depende tanto da gestão macro quanto da capacidade do Executivo em construir confiança no rumo fiscal.

"No plano externo, a diversificação de mercados e a diplomacia comercial ativa são imperativos: depender menos de um ou dois destinos reduz a vulnerabilidade a choques tarifários e decisões políticas alheias ao interesse nacional."

Segundo, o risco e a resiliência setorial: o agronegócio, apesar de robusto, chega fragilizado por inadimplência e cobertura de seguro insuficiente — “a falta de instrumentos de gestão de risco contribui para a exposição do produtor”, como já frisou a CNA. Ampliar seguro rural, melhorar linhas de crédito indexadas à safra e fortalecer mecanismos de hedge comercial serão medidas essenciais para proteger renda e manter a performance exportadora diante de pressões comerciais externas.

Terceiro, reformas e ambiente institucional: a implantação bem-sucedida da reforma tributária, combinado com avanços em infraestrutura e regulação (mercado de carbono, PPPs, setor elétrico), define se o país converte competitividade em investimentos. É preciso que a transição tributária minimize choques operacionais, acelerando a devolução de créditos para exportadores e reduzindo incertezas regulatórias que travam decisões empresariais.

No plano externo, a diversificação de mercados e a diplomacia comercial ativa são imperativos: depender menos de um ou dois destinos reduz a vulnerabilidade a choques tarifários e decisões políticas alheias ao interesse nacional.

Por fim, a coordenação fiscal e a clareza política serão o cimento que une essas medidas — sem elas, mesmo ações tecnicamente corretas perdem eficácia.

Em suma: 2026 pode ser o ano em que o Brasil transforma resultados conjunturais em plataforma duradoura de crescimento — se combinar juros mais baixos e previsíveis, instrumentos de proteção para o campo, implementação responsável da reforma tributária e foco em produtividade. Caso contrário, corre-se o risco de perder a janela e retornar a um padrão de avanços episódicos e fragilidade estrutural.

Fonte: Premium Freepik

Balanço