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Turismo brasileiro ganha força e consolida São Paulo como referência nacional


Turismo brasileiro ganha força e consolida São Paulo como referência nacional

Turismo São Paulo e Brasil

Farol Santander - São Paulo 
Fonte: Divulgação 

De atividade elitizada a motor da economia, o turismo brasileiro alcança um novo patamar de maturidade. Com São Paulo à frente da inovação e da infraestrutura, o setor projeta crescimento recorde até 2030, mas o avanço impõe desafios urgentes em talentos, leis e investimentos.

O turismo brasileiro, e em especial o de São Paulo, vem se destacando cada vez mais em todas as cadeias produtivas do país. No passado, viajar era privilégio de poucos: uma atividade considerada cara, supérflua e desnecessária, associada a luxo ou status. Apenas as viagens religiosas ou os tratamentos de saúde em balneários de águas termais eram vistos como justificáveis. Aos poucos, essa percepção mudou. Viajar passou a ser entendido como sinônimo de lazer, descanso e qualidade de vida. As estâncias climáticas e hidrominerais floresceram, o comércio local se desenvolveu e a hotelaria começou a se estruturar em torno da hospitalidade.

Com o passar do tempo, o turismo deixou de ser uma atividade sazonal para se transformar em um dos principais vetores da economia moderna. Festas típicas, parques temáticos, eventos culturais e esportivos, além de modalidades como turismo de natureza, negócios, gastronomia e saúde, consolidaram um setor que gera milhões de empregos e estimula o uso sustentável dos recursos naturais.

"Hoje, o turismo é uma força viva que move o desenvolvimento do Brasil e de boa parte do mundo."

Cenário Econômico e Liderança Paulista

De acordo com o World Travel & Tourism Council (WTTC), a economia do turismo brasileiro já ocupa o 12º lugar mundial, com previsão de movimentar US$ 168 bilhões em 2025. Um feito notável para um país que, em 1971, abrigou em São Paulo a primeira faculdade de turismo do mundo — quando até países tradicionais, como a Espanha, contavam apenas com cursos técnicos. Esse pioneirismo ajudou a formar gerações de profissionais e abriu caminho para a diversificação do setor, hoje presente em todas as regiões do país.

São Paulo lidera o crescimento nacional, consolidando-se como o maior destino receptor e emissor de turistas do Brasil, com fluxos permanentes vindos do exterior, da América Latina e de outras regiões do país. Este ano, o estado deve receber mais de dois milhões de turistas internacionais e registrar mais de 46 milhões de viagens domésticas. A taxa de ocupação hoteleira, em constante alta desde o período pós-pandemia, já ultrapassa 68% ao ano. Além disso, São Paulo abriga três dos maiores aeroportos do país — Guarulhos, Congonhas e Viracopos —, todos em processo de modernização e ampliação de capacidade.

Desafios para o Futuro

O crescimento, porém, traz consigo novos desafios. Segundo Virgílio N. S. Carvalho, diretor de Planejamento da Confederação Nacional de Turismo (CNTur), o setor precisa enfrentar três frentes principais para sustentar essa expansão:

  • 1) Talentos humanos: enquanto a agricultura se mecaniza e a indústria se robotiza, o turismo permanece essencialmente humano. Atendimento, acolhimento e hospitalidade são os pilares do setor, mas o modelo de trabalho intensivo, que exige dedicação contínua, tem afastado jovens profissionais. Isso torna a formação e a retenção de mão de obra qualificada um dos maiores desafios atuais. A Organização Mundial do Turismo (OMT) prevê que, até 2030, um em cada dez trabalhadores do planeta estará empregado no setor — uma estimativa que evidencia a urgência de preparar novas gerações.
  • 2) Aspectos legais: as políticas públicas precisam acompanhar a evolução do mercado e concentrar-se na valorização das atrações turísticas e na facilitação do acesso aos investimentos. É fundamental que o ambiente regulatório seja mais favorável ao empreendedorismo e à criação de novas oportunidades.
  • 3) Infraestrutura: São Paulo detém a maior estrutura turística do país. Conta com o Porto de Santos — o maior da América Latina —, mais de 10 mil quilômetros de rios navegáveis com marinas de apoio, além de programas sólidos de fomento e desenvolvimento da cadeia produtiva. A Desenvolve SP e a Investur têm desempenhado papel relevante ao viabilizar projetos e linhas de crédito incentivadas, estimulando novos investimentos e modernizações.

O turismo do século XXI é impulsionado por um novo perfil de consumidor. O turista de hoje é um cliente global, exigente, informado, questionador e altamente influente. Ele conhece seus direitos, pesquisa, compara e compartilha experiências, tornando-se protagonista do sucesso ou fracasso de qualquer empreendimento. “O crescimento exige competência, estratégia, preparo estrutural, investimento, criatividade e sabedoria”, afirma Virgílio Carvalho. “É o consumidor quem aponta o caminho — e é para ele que todos os esforços precisam convergir.”

Infraestrutura e Turista Moderno

Ilha Bela - São Paulo 
Fonte: Lailson Santos - Sectur 
Artigo