Você anda distraído, consumindo conteúdo... mas se sentindo cada vez mais perdido?

Karin Schoner - CEO da Jas do Brasil e Especialista em Saúde
Mental da Challenge to Change karinschoner@gmail.com
Fonte: Divulgação
Para alguns, a vida segue boa, apesar de tudo o que acontece à sua volta. Para muitos outros, no entanto, ansiedade, medo e insegurança se tornaram presença constante no dia a dia — e essa sensação não é de hoje. Desde 2020, com a pandemia da COVID-19, o mundo mudou profundamente. Vivemos em um ambiente VUCA: volátil, incerto, complexo e ambíguo.
Os relacionamentos mudaram, a forma como trabalhamos mudou, e a maneira como usamos nosso tempo foi completamente transformada — tanto na vida privada (hoje repleta de distrações vazias) quanto na vida profissional (com mercados instáveis, novas tecnologias e políticas imprevisíveis).
Exemplo simples: quantas vezes você abre o celular “só para ver uma mensagem” e, quando percebe, está há 40 minutos rolando vídeos ou lendo notícias que não acrescentam nada? Ou quantas vezes você assiste a uma palestra inspiradora, mas no dia seguinte sua rotina segue exatamente igual?
Como dizia Einstein: “Insanidade é fazer sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes.”
A pergunta que fica é: como lidar com o excesso de distrações que consomem nosso tempo e atenção? O excesso de conteúdo gera confusão. Hoje, somos bombardeados por soluções prontas para lidar com medos e ansiedades. Existem palestras, coachings, podcasts, livros, artigos e vídeos motivacionais por todos os lados. Nas redes sociais, pessoas vendem a ideia de que descobriram “a chave da vida perfeita” - uma rotina matinal, um suplemento, um método milagroso.
Você pode ouvir cinco podcasts diferentes sobre produtividade e ainda assim sentir-se paralisado diante da sua lista de tarefas.
Pode ler livros incríveis de autoconhecimento e, mesmo assim, continuar reagindo aos problemas com medo e insegurança.
Pode seguir dezenas de influenciadores que “têm a vida resolvida” e terminar o dia se sentindo insuficiente.
"Os relacionamentos mudaram, a forma como trabalhamos mudou, e a maneira como usamos nosso tempo foi completamente transformada — tanto na vida privada (hoje repleta de distrações vazias) quanto na vida profissional."
E agora temos um novo ingrediente: a inteligência artificial. Ferramentas fornecem estratégias e respostas instantâneas - o que é ótimo. Mas, nesse mar de informações, onde ficam os mentores e profissionais que estudaram profundamente a mente humana? Aqueles que sabem conduzir processos, iluminar zonas cegas e ajudar a transformar conhecimento em competência real?
Sem orientação adequada, esse bombardeio de estímulos pode gerar mais ansiedade do que clareza. Informação sem ação não transforma. A raiz do problema está aqui: consumir informação não é o mesmo que transformar a própria vida.
Você pode aprender teoricamente a nadar, mas só entenderá de verdade quando entrar na água. Da mesma forma, é comum ver pessoas buscando quick fixes - ou “soluções rápidas”- que funcionaram para alguém e acreditando que isso resolverá todos os seus desafios. Mas o que funciona para uns não necessariamente funciona para outros.
Uma pessoa pode encontrar equilíbrio acordando às 5h para meditar. Outra pode precisar dormir mais para regular o sistema nervoso. E outra pode precisar de um programa estruturado que trabalhe corpo, mente e propósito.
Na Challenge to Change (C2C), vemos isso todos os dias. Alunos chegam após consumir uma infinidade de conteúdos - cursos, livros, palestras - mas continuam presos aos mesmos padrões, porque não aplicaram o que aprenderam de forma consistente. Mudar exige prática diária, paciência e coragem para sair da zona de conforto - e essa zona, acredite, é mais forte do que parece
Então qual é o verdadeiro pulo do gato? O mundo mudou - e de forma acelerada. Se continuarmos reagindo da mesma maneira, sem filtrar, sem estruturar e sem agir, ficaremos presos no mesmo lugar, apenas mais cansados e confusos.
O segredo está em filtrar as distrações, escolher conscientemente no que investir sua atenção e incorporar os aprendizados de forma prática e contínua. Isso pode significar:
- Escolher um único podcast ou livro por vez e aplicar o conteúdo antes de buscar outro.
- Definir momentos claros de desconexão digital para recuperar foco e presença.
- Buscar mentores e treinamentos consistentes, em vez de soluções mágicas.
- Cultivar hábitos novos de forma incremental, e não tentando mudar tudo de uma vez.
O mundo mudou. E você? Está mudando também ou apenas consumindo conteúdo e esperando que a mudança aconteça sozinha? Vale a reflexão.
